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Silva & Freitas

O que você precisa saber sobre seu direito ao acesso à medicação para autistas

O tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é multidisciplinar e, em muitos casos, a medicação desempenha um papel crucial na regulação de comorbidades, permitindo que o autista tenha uma melhor qualidade de vida e aproveitamento das terapias.

Como especialista na área, vejo diariamente famílias enfrentando barreiras para obter fármacos essenciais, inclusive o canabidiol, que tem sido um divisor de águas para muitos pacientes.

A Lei 12.764/12 (Lei Berenice Piana) é clara: o autista tem direito a atenção integral às suas necessidades de saúde, o que inclui o fornecimento de medicamentos.

O papel soberano do médico no tratamento

Um ponto fundamental que toda família deve compreender é que quem determina o tratamento é o médico, e não o plano de saúde ou o Estado. Se o médico assistente prescreveu uma medicação específica, as operadoras de saúde e o SUS têm a obrigação de fornecê-la na dosagem e tempo indicados.

Isso se aplica inclusive em situações onde o diagnóstico de TEA ainda está em investigação. O direito ao atendimento integral é garantido mesmo sem o diagnóstico definitivo fechado.

Medicação e planos de saúde

Muitas vezes, as operadoras de saúde tentam limitar o acesso a tratamentos ou medicamentos de alto custo. É importante saber que:

  • Negativa de cobertura: o plano não pode negar medicamentos essenciais ao tratamento prescrito pelo médico.
  • Limitação de sessões ou fármacos: é ilegal estabelecer limites que prejudiquem a evolução do paciente.
  • Uso do canabidiol: já existem precedentes sólidos para garantir o fornecimento de medicação à base de canabidiol quando devidamente prescrita.

Como garantir esse direito

Para ingressar com uma ação judicial ou requerimento administrativo visando o fornecimento de medicação, a peça-chave é o laudo médico robusto.

O que deve constar no laudo médico:

  • CID: identificação clara (CID-10 F84.0 ou CID-11 6A02).
  • Urgência e necessidade: indicação expressa da medicação e o porquê dela ser essencial.
  • Histórico terapêutico: se possível, mencionar outros medicamentos já testados que não surtiram efeito, destacando por que o atual é o único eficaz.
  • Riscos da interrupção: deixar claro que a falta do remédio pode causar sérios danos ao desenvolvimento do autista.

Documentos Complementares

  • Documentos pessoais do autista e do responsável:
    • RG
    • CPF
    • Certidão de nascimento
  • Comprovante de residência e renda (para fins de justiça gratuita).
  • Negativa formal do plano de saúde ou do órgão público.

Conclusão

A jornada do autista e de sua família não deve ser interrompida por burocracias. A medicação é um direito garantido por lei para assegurar a dignidade e o bem-estar da pessoa com deficiência.

Se você enfrenta dificuldades para obter os remédios necessários, busque orientação jurídica especializada para garantir que a lei seja cumprida. Importante: Cada caso possui particularidades que devem ser analisadas por um advogado qualificado para garantir a melhor estratégia jurídica.

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