Muitas pessoas que sofrem com doenças do coração enfrentam, além dos desafios de saúde, uma barreira financeira severa. A incapacidade de trabalhar, somada ao alto custo de medicamentos e tratamentos, coloca famílias inteiras em situação de vulnerabilidade.

Se você ou um familiar possui uma condição cardíaca grave e não tem meios de prover o próprio sustento, o BPC (Benefício de Prestação Continuada) pode ser o suporte necessário.
O que é o BPC/LOAS e ele é uma aposentadoria?
Diferente do que muitos pensam, o BPC não é uma aposentadoria. Ele é um benefício assistencial pago pelo Governo Federal e operacionalizado pelo INSS.
- Não exige contribuição: você não precisa ter “pago o carnê” do INSS para ter direito.
- Valor: 1 salário mínimo mensal.
- Direito: destinado a idosos (65+) ou pessoas com deficiência de qualquer idade que comprovem baixa renda.
Para quem tem problemas cardíacos, o caminho é o BPC para Pessoa com Deficiência, onde a doença é analisada sob o impacto que gera na vida e na autonomia do indivíduo.
Quais problemas cardíacos dão direito ao benefício?
Não é apenas o diagnóstico em si que garante o BPC, mas sim a gravidade da condição e como ela impede a pessoa de participar da sociedade em igualdade de condições. Entre as cardiopatias mais comuns que podem gerar o direito, destacam-se:
- Insuficiência cardíaca grave: quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para o corpo.
- Cardiopatia isquêmica: infartos prévios ou angina que limitam esforços físicos.
- Arritmias complexas: que geram desmaios ou risco de morte súbita.
- Cardiopatias congênitas: condições presentes desde o nascimento.
- Pós-operatórios complexos: pacientes que passaram por transplantes ou cirurgias de grande porte e ficaram com sequelas permanentes.
Importante: a perícia médica do INSS avaliará se a condição cardíaca gera uma limitação de longo prazo (mínimo de 2 anos).

Os dois requisitos fundamentais para a aprovação
Para ter o BPC aprovado em 2026, o solicitante precisa preencher cumulativamente dois requisitos:
1. Requisito médico (deficiência)
A pessoa deve passar por uma perícia médica e social do INSS. O perito vai analisar se a doença cardíaca causa impedimentos físicos, mentais ou sociais que dificultam a vida do segurado. Laudos médicos atualizados, exames de imagem e receitas de medicamentos são essenciais aqui.
2. Requisito econômico (baixa renda)
A renda por pessoa do grupo familiar deve ser de até 1/4 do salário mínimo. No entanto, a justiça brasileira hoje permite uma análise mais ampla, descontando gastos com medicamentos, fraldas e tratamentos que o SUS não fornece, o que pode elevar esse limite de renda na prática.
Por que o BPC por problema cardíaco costuma ser negado?
Infelizmente, o INSS costuma ser muito rigoroso. As negativas mais comuns acontecem por:
- Laudos médicos genéricos que não explicam a incapacidade.
- Erros nas informações do Cadastro Único.
- Renda familiar calculada de forma errada pelo sistema.
Se o seu benefício foi negado, você não deve desistir. É possível recorrer administrativamente ou entrar com uma ação judicial, onde a análise costuma ser muito mais favorável ao paciente cardíaco.
